segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Salmo 23:4 – uma breve reflexão

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.”

Talvez um dos Salmos mais conhecidos de todo o livro e como tudo que vira decoreba, perde a profundidade; a essência. E aqui, nesta breve reflexão, me atenho ao verso 4.
Os vales da sombra da morte são passagens inevitáveis na vida de qualquer pessoa. Esquecendo um pouco o sentido literal que a Palavra traz neste verso, vamos pensar poeticamente nos vales pelos quais tantas vezes nós passamos: solidão, angustia, incertezas, frustrações, desamparo, traições, desemprego, esterilidade, morte de pessoas queridas... E poderia escrever páginas só citando as dores que acometem nossa alma... E então lemos, na Palavra Absoluta do Senhor: se passo pelo vale da sombra da morte o Senhor é comigo. Sua vara e Seu cajado me consolam.
Em primeiro lugar, essa frase nos deixa bem claro que seguir a Cristo não é sinônimo de uma vida sem aflições; mas é sinônimo de nunca estarmos sozinhos mesmo em lugares tão hostis. A vara é o instrumento que o pastor usa para defender o rebanho do ataque de ursos, leões e outros animais que colocam em risco a vida das ovelhas... Passando pelas mais assustadoras situações, temos a certeza de que nosso Pastor nos defenderá de tudo aquilo que é mais poderoso do que nós, porém nunca mais poderoso do que Ele... O cajado é usado para mostrar a direção à ovelha. É como um gancho que encaixa no corpo dela para trazê-la de volta ao caminho caso se perca. E como é fácil nos perder quando andamos nos lugares obscuros da dor. Aquilo que nos assusta, também nos cega. Impossibilitados de enxergar com clareza por conta da sombra que nos confunde, nos tornamos vulneráveis e demasiadamente frágeis. Mas se confiarmos no Senhor e não nos afastarmos da Sua Palavra, podemos respirar fundo e descansar na certeza de que o nosso Pastor nos chamará de volta para o caminho da retidão e nos seguirá até o fim do vale; até à mesa do banquete.

E o que isso tem a ver com um blog que se propõe a falar de equilíbrio? Bem, o Senhor é o nosso ponto de equilíbrio sempre. Sem Ele, não conhecemos a medida das coisas. Nos perdemos no caos da nossa alma, nos vales do nosso coração, nos abismos do nosso pensamento. Nos desequilibramos, porque viver é como andar numa corda bamba. Mas se confiamos em Cristo, como o Caminho, a Verdade e a Vida, permanecemos na mesma corda bamba, mas de mãos dadas com Ele, nos sendo equilíbrio e amparo. 

domingo, 13 de março de 2016

ensaio sobre o recomeço

Abro os olhos e vejo um caminho a ser percorrido. Estradas pelas quais nunca ninguém caminhou. Foram feitas para os meus pés.
É preciso não olhar pra trás. Respirar simplicidade, simplesmente caminhar.
A arte de continuar. Seguir. Permanecer. Insistir.
Se permitir ser outro. Renovar, regenerar.
Abro os olhos e vejo um palco abandonado. Danças esquecidas. Sonhos em preto e branco.
É preciso ocupar-se da capacidade de transformação e adaptação contínua.  
É preciso olhar pela janela e decidir que dá pra continuar.
Os pensamentos passeiam por dentro; pelos ossos e vísceras. Tornam-se palavras e gestos.
Os pensamentos são de paz. De vida. De desejo. Pensamentos de poesia e continuidade.  Prosseguir. Sempre e mais.


O recomeço é uma pequena fenda de luz que a cada manhã sorri quando a cortina se abre. 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

“Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.
Colossenses 1:16

Um versículo. Duas frases. Algumas poucas palavras. E o mais profundo sentido: o sentido da existência.
Quando filósofos de todas as épocas questionam de onde viemos, para que viemos e para onde vamos, é porque falta a crença em um único verso. Colossenses 1:16. O resumo da essência da criação. Deus, O Criador. Cristo, O Verbo. Espírito, O Poder. Tudo foi criado pelo Verbo e para o Verbo. Ele é o princípio, o fim e o único lugar no qual Ele deve estar é no centro de todas as coisas. Para o SENHOR não há meio termo. Ou Ele está no centro da nossa existência, ou a nossa vida simplesmente não está nas mãos Dele.  
Sabe uma pessoa que é o centro das atenções? O assunto é a pessoa, as ações são para a pessoa, a referência também é essa pessoa. Os elogios são para ela e os agrados também. Ela torna-se o motivo e a razão. As perguntas e também as respostas. A inspiração e a força motriz. Assim deve ser o lugar de Jesus Cristo nas nossas vidas. O sentido da existência da raça humana se faz, quando vivemos por Ele e para Ele, na compreensão completa de que somos Dele.
Ser cristão não é viver em busca dos próprios benefícios. Ser cristão não é seguir a Cristo para que a vida melhore. Ser cristão não é mudar a maneira de falar, de se vestir e também meia dúzia de hábitos. Ser cristão é ter Cristo como centro do evangelho. É ter Cristo como centro da própria vida. É viver para servi-Lo, segui-Lo, adorá-Lo.
Ser cristão é entender (e crer de todo coração) que Ele é o porque, o para que e o como de todas as coisas. Viemos Dele e a proposta é voltar para Ele. E isso só é possível por Ele. O caminho, a verdade e a vida.


sábado, 19 de dezembro de 2015

"E não somente isso, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança, a perseverança produz experiência, e a experiência esperança. Ora, a esperança não traz confusão, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado."
Romanos 5:3-5

A vida não é um mar de rosas fluindo livre e diretamente rumo ao...? Rumo a que mesmo caminhamos? Tropeços, obstáculos, quedas e recuperações são elementos constitutivos dessa coisa chamada vida. Sempre foi assim, desde que o homem escolheu viver de forma independente de Deus.
O Saber e o Sábio, Jesus Cristo nos alertou: “Nesse mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” E não só isso, mas além (Ele sempre vai além...) Mais do que ter bom ânimo, gloriar-se nas tribulações. Como? É! Porque ‘o amor está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.’
Passar por essa vida, pelas aflições aprendendo e crescendo a partir delas é possível porque o Verbo se fez carne. O Deus infinito se fez limitado, se fez homem, se fez Emanuel. Deus criou gente porque Ele gosta de gente. Porque a vida se realiza na relação, na troca, no entre.
Atravessamos um deserto até chegar ao eterno. E Ele veio. Habitou no meio do seu povo cheio de graça e de verdade. No deserto encontramos Deus. No silêncio, na quietude, na entrega. Porque Ele é o princípio e o fim. O ontem e o hoje. O agora e o depois.
Sabendo e crendo nisso, a tribulação se torna um lugar de glória visto que é o local de encontro com o Criador. A força que vem Dele nos faz perseverantes. Prosseguir, nos leva ao conhecimento empírico; aquele que passa pela pele. E então a esperança... Esperança que é o firme fundamento do que se espera e a certeza das coisas que não se veem. 


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

De onde vem tanta ansiedade? Por que a maioria das pessoas hoje em dia apresenta pelo menos um sintoma de ansiedade? O que tem nos inquietado tanto?

A ansiedade aflige o homem que tem seu espírito vazio. E também aquele que entregou seu espírito ao Senhor, mas ainda não entendeu que esse mundo é passageiro e aqui somos como peregrinos.
A ansiedade acontece porque um dia alguém colocou na nossa cabeça que temos a obrigação de ser feliz.  Temos a obrigação de sermos bem sucedidos profissionalmente, temos a obrigação de construir uma família igual as de comercial de margarina. Nossos filhos precisam ser os melhores em tudo, nossos maridos, os mais requisitados seja na profissão, seja pela cobiça de outras mulheres e as nossas mulheres, por sua vez, nunca envelhecerão. Precisam ser sempre as mais bonitas da festa, as mais sábias nas rodas de conversa e as mais perfeitas mães. Vivemos subjugados a obrigações sem nem questionar se esses dedos apontados do ‘tem que’ fazem sentido pra nós; indivíduos. Serem únicos com verdades únicas. Qual é a tua verdade? O que faz sentido pra você? Você sabe? Você vive?
Os que pensam que aqueles que se encontraram espiritualmente tornam-se imunes a essa doença social, estão enganados. Tornar-se-iam se houvesse compreensão.  Compreensão sobre o que é essa vida; o que é a vida eterna e o que estamos fazendo aqui.
A ansiedade nos será companhia diária enquanto acreditarmos que temos só esse tempo da vida carnal para nos realizar plenamente. Ela morará dentro de nós até o dia que tivermos o real e completo entendimento de que a criatura só se sentirá absoluta no contato íntimo com o seu Criador.
A ansiedade será esse bichinho a nos devorar enquanto considerarmos mais importantes os dedos apontados das obrigações do que nossas questões e convicções internas.
A ansiedade é um reflexo da crença de que precisamos ter mais respostas do que perguntas; mais certezas do que dúvidas; mais encontros do que buscas. Mais perfeição do que realidade.



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A ideia deste blog é explorar, conhecer, fuçar e desvendar, na medida do possível, esse vasto universo chamado equilíbrio. Shalom (hebraico) traduzido para o português como paz é na verdade uma palavra que na nossa língua seria chamada de grávida, pois o seu sentido é preenchido. Shalom, na sua compreensão completa, quer dizer perfeito equilíbrio entre corpo, alma e espírito. Isso me intriga! Seria possível viver assim o tempo todo?

Falar sobre equilíbrio não é tarefa assim tão fácil. Equilíbrio é conceito relativo; como tudo, diria Einstein. Mas creio que seja senso comum pensar que estamos em equilíbrio quando há o bom funcionamento do nosso corpo, os órgãos trabalhando em harmonia, os fluxos fluindo com liberdade. Estamos em equilíbrio quando as emoções passeiam leve e livremente, quando as preocupações estão administradas, quando o medo e a ansiedade são coisas do passado. O equilíbrio é alcançado quando nosso espírito, lugar desconhecido mas nem por isso inexistente, está devidamente preenchido com o sopro do Criador. Equilíbrio é sinônimo de movimento consonante, constante, pulsante. Equilíbrio é estar com a mente em paz, o coração aquecido, o corpo alegre e o espírito sensível. Mas na prática, isso existe? Somos uma raça corrompida, vivendo num mundo corrompido. Nascemos com a semente do mal e isso nos impede de viver o shalom a todo momento. Mas não nos impede de tentar. Equilíbrio, assim como a vida, é algo dinâmico; acontece no gerúndio. É uma busca diária. É se questionar e rever valores. É conhecer e aceitar as próprias fraquezas e limitações e também as dos outros, claro! Equilíbrio é saber dizer não sempre que necessário e saber ser grato por absolutamente tudo.
De tempos em tempos trarei reflexões sobre esse assunto. Às vezes de maneira geral, falando do shalom como um todo. Às vezes separando o que se refere ao corpo, do que se refere à alma e do que se refere ao espírito. Separações essas que são totalmente didáticas. Afinal, equilíbrio é entender que somos uma coisa só. Assim como nosso Criador. São três, e é um.